Sem consultas nem vacinas, mulher resgatada após 18 anos de isolamento não tinha registros na saúde em SP, diz secretário
Mulher de 33 anos é encontrada vivendo em isolamento social há 18 anos no interior de SP A mulher de 33 anos encontrada vivendo em isolamento social havia 18 ...
Mulher de 33 anos é encontrada vivendo em isolamento social há 18 anos no interior de SP A mulher de 33 anos encontrada vivendo em isolamento social havia 18 anos em Cristais Paulista (SP), na região de Franca, não tinha nenhum registro de atendimento médico ou vacinação na rede municipal de saúde, segundo o secretário de Saúde, Bruno Felipe de Carvalho. Ela foi resgatada na segunda-feira (26) após uma denúncia de suspostos maus-tratos. De acordo com o secretário, buscas nos prontuários antigos e atuais da rede pública não identificaram consultas ou vacinação da mulher, nem mesmo durante a pandemia de Covid. A situação surpreendeu o responsável pela pasta, que está no cargo há nove anos, em um município de aproximadamente nove mil habitantes. "Eu olhei históricos de vacinação, olhei históricos de prontuário, porque a gente tinha um sistema de prontuários mais antigo. Fiz a busca para realmente tentar identificar se houve alguma falha nossa, se é uma pessoa que realmente rejeitou o serviço. Então, praticamente, hoje foi o primeiro atendimento dela na saúde." Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Casa da mulher encontrada vivendo em isolamento social em Cristais Paulista, SP Divulgação/Polícia Civil Segundo Carvalho, agentes de saúde já haviam tentado contato com as moradoras, mas não conseguiam entrar na residência porque mãe e filha evitavam a aproximação de outras pessoas. "Surpreendeu não ter passado em nenhum momento, nem por vacinação", afirmou. A mulher e a mãe estão temporariamente acolhidas na casa de uma familiar, já que o imóvel onde viviam foi interditado pela Vigilância Sanitária devido às condições precárias de higiene e ao acúmulo de objetos e lixo. À chefe da Divisão de Saúde Pública da Vigilância Sanitária municipal, Renata Valério de Souza Pinto, a mulher contou que deixou a escola aos 15 anos por sofrer bullying devido a uma deformidade no tórax e nas costas. Depois, disso passou a ter contato apenas com a mãe em casa. De acordo com Renata, a mulher demonstrou medo do grupo que participou da abordagem na segunda-feira, entre eles policiais e profissionais de saúde, e foi necessário uma conduta especial para se aproximar dela e convencê-la a receber atendimento. Casa onde mulher de 33 anos foi encontrada e contou que vive em isolamento social há 18 anos, em Cristais Paulista, SP Divulgação/Polícia Civil Casa foi alvo de reclamação em 2017 A casa da filha e da mãe, de 71 anos, foi interditada por causa da quantidade de material acumulado no local. As duas foram acolhidas temporariamente por uma parente até o que imóvel seja limpo. O secretário disse que a residência já havia sido alvo de uma ação da Vigilância Sanitária em 2017, após denúncias de vizinhos sobre o acúmulo de lixo na área externa. Na época, o município enfrentava um período de muitos casos de dengue, e a quantidade de materiais descartados no terreno representava risco de formação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. "Foi um ano de muitos casos de dengue e ela [mãe] tinha uma quantidade de lixo enorme. A Vigilância Sanitária tem um registro dessa ação." Segundo Carvalho, a intervenção ficou restrita à parte externa do imóvel. Ele afirmou não ter conhecimento de profissionais que tenham conseguido entrar na casa naquela ocasião. O secretário de Saúde de Cristais Paulista (SP), Bruno Felipe de Carvalho Reprodução EPTV LEIA TAMBÉM: Mulher em isolamento social há 18 anos demonstrou medo de estranhos e estava em quarto escuro ao ser resgatada, diz agente de saúde Mulher de 33 anos é encontrada vivendo em isolamento social há 18 anos, diz polícia Agente leva presentes a mulher que viveu isolada por 18 anos: 'Sou sua amiga desde ontem' Agora, com a interdição, a família foi notificada para providenciar a limpeza dentro do prazo previsto pela legislação municipal. Caso a determinação não seja cumprida, a prefeitura poderá organizar um mutirão para o serviço. "O ambiente é muito insalubre", disse o secretário. Avaliação médica e acompanhamento psicológico A mulher passou por uma avaliação inicial no pronto atendimento municipal e deve receber, nesta quinta-feira (29), a visita de uma médica da Estratégia de Saúde da Família no imóvel onde está acolhida. A profissional vai avaliar as condições gerais de saúde da paciente e definir os encaminhamentos necessários para o início do acompanhamento pela rede pública. O atendimento também deverá envolver uma nutricionista e, conforme as necessidades identificadas, profissionais de psicologia e assistência social. "A doutora Márcia vai fazer uma visita no domicílio onde ela está acolhida e vai traçar um plano de cuidado envolvendo a assistência social, saúde e articular ela dentro do acolhimento das nossas equipes de saúde", explicou Carvalho. O secretário afirmou que o município dispõe de profissionais para oferecer acompanhamento psicológico e atendimento especializado caso sejam identificados problemas de saúde mental. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região